14/08/2022

Desafios para a medicina causados por sequelas da covid-19

Mesmo após curar-se, muitos infectados com a covid-19 têm sintomas persistentes e sequelas. Após dois anos do primeiro caso registrado de Covid-19, o Brasil já tem uma grande parte da população vacinada.

No entanto, ainda há muitos desafios da área, um deles é a recuperação dos pacientes com sequelas do vírus. Para entender mais sobre esse assunto e quais são os desafios para a medicina, continue lendo este conteúdo!

Principais desafios para a medicina causados por sequelas da covid-19

São em sua maioria casos de Covid longa, que é quando os sintomas continuam por pelo menos quatro semanas. E as queixas mais frequentes são:

  • Fadiga;
  • Fraqueza;
  • Falta de ar;
  • Dor;
  • Confusão mental.

Segundo alguns especialistas , o Brasil necessita de uma rede integrada de reabilitação e um protocolo nacional para que os profissionais da área de saúde possam aprender  a lidar com esses casos.

Os primeiros passos já começaram a ser dados, mas ainda estamos muito longe do cenário ideal. Não é raro dos pacientes relatarem uma peregrinação no sistema de saúde público e privado a procura de auxílio para tratar os sintomas persistentes.

Diretora do Centro Colaborador da Organização Mundial de Saúde (OMS) para Reabilitação e presidente do Conselho Diretor do Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas, Linamara Rizzo Battistella afirma que o próximo desafio no país em relação a pandemia é reabilitação dos infectados.

Pois, é importante fornecer reabilitação ajustada de acordo com as necessidades de cada paciente. Caso contrário, o país terá toda a sua população precisando de cuidados permanentes e fora da condição produtiva.

Embora os hospitais sejam importantes para salvar vidas, a reabilitação também é para devolver as vidas de voltas à sociedade. Embora a ciência ainda não seja capaz de explicar muito sobre os sintomas, existe um arsenal terapêutico disponível para tratamento no Hospital das Clínicas.

O hospital teve sucesso em tratar cerca de 8% dos pacientes que chegam com limitações no dia a dia.

Importância de cuidar das pessoas com sequelas da COVID-19

Para a pneumologista Patrícia Canto, da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz), é preciso ter uma centralidade no cuidado das pessoas com sequelas da Covid-19, para evitar peregrinações pelo sistema de saúde.

Apesar do SUS dar conta, é preciso ter muitos investimentos e organização. O ideal é que o paciente vá até um centro especializado para receber o atendimento adequado.

Após notar um grande número de pacientes precisando de reabilitação e outros com sintomas persistentes, a rede privada, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz criou, em agosto do ano passado, o seu próprio Centro de Tratamento Pós-Covid.

Esses pacientes passavam por uma série de especialistas para garantir que estava tudo bem. Na maioria das vezes, sem precisar direcionar para o que era mais necessário e até sobrecarregar o sistema com repetição de exames de imagem.

Isso tudo devido a falta de um cuidado centralizado. O estádio do Piauí, por exemplo, criou unidades específicas de reabilitação pós-covid. Porém, de acordo com alguns especialistas, esses cuidados podem ser feitos nos Centros Especializados em Reabilitação (CER) que há existem.

No momento, o SUS conta com 268 CER espalhados de forma desigual pelas 27 unidades da federação. O ideal é que o Ministério da Saúde faça um diagnóstico das necessidades de atendimento em cada estado do Brasil para, só então, analisar a necessidade de investimentos nos CER.

Outro ponto importante é a elaboração de um protocolo nacional para o pós-Covid, de avaliação e tratamento da síndrome pós-covid.

Maior desafio: a COVID longa

A COVID longa, também conhecida como a síndrome pós-COVID, é considerada como um dos maiores, senão o maior desafio da medicina em todo o mundo, ocidental e oriental.

Visto que, cerca de 58% dos pacientes saem da doença, seja grave ou não grave, com algum grau de sequela. Tais sequelas podem ser passageiras ou permanentes, dependendo de uma série de fatores.

Dessa forma, os pacientes irão precisar dos serviços de reabilitação transdisciplinar e multidisciplinar. Pois, em números do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), cerca de 20,9 milhões de brasileiros contraíram a infecção do coronavírus.

Diante desse cenário, o número de casos da COVID longa ainda pode estar muito abaixo no país. Entre possíveis sequelas da COVID-19, podem ser enquadrar as sequelas respiratórias, como as causadas pela fibrose respiratória pulmonar, ou até mesmo neurológicas.

Isso tende a ocorrer em pacientes que já tiveram acidentes vasculares cerebrias (AVC) mesmo no pós-cura da doença. Porém, que tiveram em decorrência do coronavírus, por exemplo.

Sendo assim, uma pesquisa recente apontou que a COVID longa pode ter mais de 200 sintomas. Outro estudo, realizado por pesquisadores do King’s College London, no Reino Unido, observou que a vacina diminui as chances de desenvolver as sequelas do coronavírus, caso a pessoa se infecte.

Vale ressaltar que as vacinas são a arma principal da humanidade contra a pandemia.

O que aprendemos sobre o coronavírus?

Por mais que o futuro esteja repleto por novos desafios, é essencial saber reconhecer os aprendizados dos médicos e cientistas durante esses últimos anos. Por exemplo, nos primeiros meses da pandemia, a COVID-19 foi considerada uma pneumonia atípica.

Porém, hoje, sabemos que se trata de uma doença ainda mais abrangente. Em linhas gerais, a COVID-19 trata-se de uma doença sistêmica, que pode comprometer todos os corpos do corpo.

Em outras palavras, trata-se de uma doença caracterizada por uma resposta viral inicial muito intensa e seguida de uma resposta inflamatória com a liberação de citocinas muito tóxicas.

Diante desse contexto, é necessário levar em conta que a COVID-19 é capaz de desencadear casos de trombose, liberação de citocinas (proteínas) e a disfunção do endotélio.

Conclusão

Em suma, a pandemia do novo coronavírus trouxe uma série de desafios para a população e também para a área de saúde. Enquanto a preocupação era saber combater a doença, hoje em dia o desafio é lidar com suas sequelas.

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